Olha só, eu queria propor um exercício bem simples pra gente fazer nesse festival de Cannes 2016: esqueça os pormenores das categorias e comece a dividir os cases (que pipocam nessa época) em dois blocos: vivo e morto.

Explico:

Desde 2004, começaram a pipocar ideais vivas no festival.
Elas usam o festival como prova de conceito.
Fazem um “Piloto”, e se a ideia é aceita ao ponto de ganhar alguns leões, fazem em série.
Essas ideias usam Cannes como mídia, pagam a inscrição, ganham e levam exposição.
Elas se alimentam da participação das pessoas, e crescem quanto mais prêmios ganham.

As ideias vivas funcionam mais ou menos como um Oscar.
Afinal Cannes é Oscar….deixa pra lá, mas o fato é que muita gente só vai ver o filme depois que ganhou o Oscar.
Assim como muita gente só se engaja numa ideia depois que ganhou leão.

Ideias vivas usam o festival para prosperar.

A ideia morta é algo que a propaganda vem fazendo desde sempre.
É o famoso: porque nunca pensei nisso antes.
A ideia morta é aquela ideia foda, que vai fechar uma porta: ninguém nunca mais vai poder fazer aquilo sem lembrar dela e evitá-la.
É a melhor ideia possível dentro daquele formato.
Ela se consagra no festival, mas não cresce em participação depois dele.

A ideia morta usa o festival para virar referência.

 

A essa altura você já deve ter percebido que eu prefiro as vivas.

Mas não se engane, ideias vivas precisam de cuidado pós-festival.
Se você (e sua agência) não estão preparados pra isso, é melhor matar e cobra com uma paulada certeira, fodida e memorável.

Esse texto poderia acabar aqui, se não fosse um simpático zumbi que já deve ter aparecido na sua timeline.
Em 2015 a Geico matou o formato Skip Ad, virou referência.
Nunca mais você vai conseguir ver uma ideia de Skip Ad sem comparar com Geico.
Mas eis que em 2016 rolou o improvável, aquilo que eles mesmos mataram voltou à vida, comendo parte do meu cérebro :)

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