Um dos pensamentos mais propagados uitimamente é:
"Não existe distinção entre propaganda ON e OFF, o que vale é a idéia."
Hum, bem vamos lá, te digo que sim, existe e esse "existe" está exatamente na idéia.
Esqueça o que é internet, revista ou TV.
Não estamos falando de meio , estamos falando de idéia, certo?
E idéia pode ser sim ON ou OFF.
Explico:
Entenda ON por Conectado/Participativo.
Ter uma idéia conectada significa que você depende da interação dos seus consumidores pra ela existir.
Simples assim: você lança uma idéia, ela cresce, se desenvolve e funciona através das pessoas.
Sem essa colaboração ela provavelmente não sobreviverá.
Entenda OFF por desconectado/Não-Participativo.
Ter uma idéia desconectada, significa que ela independe da colaboração dos consumidores para acontecer.
Também é bem simples, você tem uma idéia brilhante, mas tão brilhante, que ela não depende da interação das pessoas, é uma pura e simples demonstração do seu poder de síntese aplicado a uma marca ou produto.
Então vamos lá: ON=Conectado e OFF=Desconectado.
A essa altura você já deve estar esperando que eu fale sobre as vantagens de uma idéia ON e como isso vai mudar a propaganda e blá, blá,blá.
Seguido de uma detonação sumária das idéias OFF, com requintes de crueldade, e golpes tipo joelhada no vácuo.
Errou.
Cada tipo de idéia tem o seu espaço.
O que você não pode esperar é que uma idéia OFF aconteça de maneira ON e vice-versa.
E é exatamente isso que vou tentar explicar aqui.
Como todo e qualquer profissional de internet, passei um bom tempo "adaptando anúncio" e outro pouco "olhando como essa idéia legal aqui pode funcionar na internet".
Na verdade isso te absorve tanto, que você mal tem tempo de pensar como o consumidor, ou seja, porque catzo eu vou continuar uma idéia na internet?
#FAIL, sem chances, vai dar merda, ou no máximo não vai dar em nada.
Se uma idéia foi pensada pra existir sem a participação dos consumidores, dificilmente você consegue reverter e torná-la participativa.
Durante algum tempo os publicitários pensavam que a internet era uma extensão do filme ou anúncio.
Então, teoricamente, o consumidor iria ver seu filme e entrar na internet pra ver mais, ter uma experiência maior.
Mas, parando pra pensar, se a sua idéia inicial não depende da interação das pessoas, porque você acha que o fato de replicá-la na internet vai dar um ON nessa interação?
Uma simples URL colocada na cartela ou no canto do anúncio pode te indicar um site, mas será que te leva mesmo, te envolve?
E se por um milagre o consumidor resolver entrar no endereço que vc está propondo, pra quê você quer levá-lo pra lá?
Para ver mais uma vez o poder da sua síntese, agora na versão 2.0?
Uma coisa acaba não se conectando com a outra como deveria.
O consumidor, que não se contenta mais com a papel de somente consumir propaganda, passa a não achar espaço para interagir com a sua marca. E você se vê gastando o dobro de tempo e esforço pra fazer a mesma coisa em duas ou mais mídias.
Aí você tem duas saídas:
1 - parte para a próxima idéia genial, com todo o poder de síntese aplicado, agora na TV, anúncio, web e alguma outra mídia a sua escolha.
2 - começa a buscar a interação das pessoas.
Veja bem, são dois caminhos diferentes.
Não condeno, nem menosprezo o primeiro, afinal existem grandes marcas feitas dessa maneira, com uma campanha genial atrás da outra.
Os publicitários particularmente adoram, e alguns consumidores também.
Mas meu amigo, quando você descobrir o poder da interação, não vai mais querer outra vida. É um vício.
Pessoas participando, pedindo e dando sugestões, procurando participar da sua criação, ou simplesmente repassando para amigos, para se sentirem inseridas.
Aqui você consegue uma fonte de inspiração infinita para propor novas idéias, e "brincar" de buscar novas maneiras de envolver seus consumidores.
Nem preciso preciso falar que busco e gosto muito mais de idéias ON, apesar de algumas vezes sentir uma inveja boa de algumas idéias OFF.
Mas a verdade é que vale criar para os dois lados. (trocadalhos à parte)
Só não vale o meio termo.
Fazer um conceito que não precisa da participação das pessoas, e esperar que elas participem é horrível, fica forçado e o consumidor percebe isso.
Da mesma maneira que ter uma idéia participativa e não estar preparado para receber críticas, mudar as coisas no meio do caminho e co-criar é talvez ainda pior.
Se você busca uma idéia ON, esteja preparado para enfrentar mudanças, interagir, repensar e aprender com as sugestões do consumidor. Afinal, uma campanha participativa só começa a ser criada quando ela vai pra rua. Caso nem você e nem sua agência não estejam preparados para fazer as coisas acontecerem "on going", nem comece.
Do mesmo jeito, se você quer partir pra uma idéia OFF, saiba que por mais que você se esforce, as pessoas já não se interessam tanto assim por propagandas que não “deixam” elas interagirem. A sua idéia “nossa que sacada” dificilmente vai virar uma idéia “nossa quero fazer isso”.
No final, relaxe, se a sua idéia for boa, ela deve dar uma boa propaganda, ON ou OFF, AFF!!!!